Não sei se é o meu lado nostálgico que falou mais alto, ou a vontade de sempre ouvir o que o povo tem a dizer, mas o fato é que um sentimento de saudade e de boas lembranças me remeteram ao passado da Vila do Forró, que foi completamente demolida na calada da noite, sem a população de Caruaru saber, nesta quarta-feira (26). Ao saber disso, várias lembranças me vieram. Me lembro desde criança daquela vila que acendia suas luzes e parecia ter vida todos os meses de Junho. Lembro-me daquela igrejinha que sempre foi um ponto de descanso e brincadeira na minha infância, e também um ponto de encontro para aqueles que se perdiam ou marcavam encontro em meio ao tumulto das ruas cheias de gente, com o calor humano do São João. Quem nunca marcou encontro em frente a igrejinha? Quem nunca sentou nos bancos da igrejinha? Até mesmo fora do mês junino, mas ao passar por aquela rua, a lembrança do São João voltava memória.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Vila do Forró, e agora Capital do Forró?
Todas aquelas casas foram demolidas, a igrejinha foi demolida, aquelas ruas como nomes de grandes identidades do São João foram demolidas, mas não foi só isso, uma história pessoal marcada naquelas ruas de cada caruaruense, de cada turista que por ali passou também foi embora com esses destroços. Eu me pergunto o que será do São João a partir de agora? Qual será a sensação que vamos ter, quando começar o São João e olharmos para o lado e não vemos todas aquelas casinhas coloridas, a barraquinha da “tapioca do amor”, o pé-de-serra que animava nossos avós, todas as aquelas pessoas dentro e ao lado da igrejinha, todas aquelas luzes iluminando o São João. O que será que vamos sentir? Hoje, confesso que a tristeza e a lembrança de dez anos atrás esta falando mais forte. Um sentimento de revolta fala por mim. É como se tivessem rasgado uma fotografia de família, como se arrancassem um grande pertence do meu passado e não avisassem. Um atentado terrorista, que inesperadamente destrói um símbolo importante de uma cultura. Acho que o sentimento de “Eu fiz” “Eu destruo” foi o principal motivo disso tudo. Não vamos deixar que essas lembranças sejam apagadas da nossa memória. Isso jamais , autoridade alguma, poderá demolir.
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3 comentários:
Concordo com vc, poderiam ter feito há tempos algum projeto pra revitalizar, melhorar as casas, seja lá como seria. E o pior, MADRUGADA? pq nao iria ter ninguem pra impedir, mas tinha pessoas naquele momento dnetro das barracas e foram empurradas a força de dentro do estabelecimento. E nao comentar com a população? Fazer algo de um dia pra o outro? E nao só o sao joao tinha lá, mas o motofest mes d setembro e outubro ou era inicio d novembro. Fora que sempre tinha alguns eventos no pátio, como exposiçao de carros e até os parques de diversões. Quem viu a reportagem hj d manha do ABTV sabe como foi as perguntas pra Zé pereira, nm a reporter conseguia acreditar nele. Bem é algo absurdo e espero que façam algo realmente MELHOR e que n deixem d acabar com a cultura de caruaru.
Isso é o que não se pode chamar de "Política Pública". De fato é muito ruim ver um patrimônio que apesar de ser novo já faz parte da história de muitos. Independente se reconstruírem ou se ficar apenas um terreno vazio, o mais importante irá ficar na cabeça de cada pessoa que por ali passou que são os sentimentos vividos, as pessoas encontradas e até os corações partidos ou a sandália gasta pelo arrasta pé da madrugada.
Nunca vi a Vila do Forró ou mesmo fui ao são João de Caruaru, mas pra quem viveu tudo aquilo realmente sabe o que perdeu.
Gostei do foco narrativo. Ao colocar os seus sentimentos, me fez lembrar de alguns fatos que me aconteceram naquele espaço (apesar de eu não frequentá-lo muito no mês de junho). Nostalgia, lembranças... mas, o pior de tudo, interrogações até agora respondidas com reticências.
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